Quando conflitos da alma são mais destruidores que guerras

Por: Sérgio Cavalcanti Um recente estudo de Thomas Howard Suitt, candidato a PhD da Universidade de Boston, traz números estarrecedores sobre militares americanos que lutaram na Guerra do Afeganistão (de 2001 a 2020): 7.077 morreram no campo de batalha e 30.1777 ( fora do teatro de operações ou aposentados) se suicidaram. Cerca de quatro vezes e meia mais mortes por suicídio que por combate demanda uma profunda reflexão sobre guerras e seus efeitos, mas também sobre doenças mentais e sua extensão. Além das mudanças duradouras no cérebro causadas pelo stress pós-traumático, outras causas são apontadas para o alto número de suicídios; estes incluem o trauma sexual militar; a exposição ao trauma de combate; a histórica falta de respeito pelo tratamento da saúde mental nas forças armadas; e o sentimento de lesão moral que deriva de experiências traumáticas na guerra ou na instituição das forças armadas. Outro indicador que o mundo anda estranho: quando observamos os números de suicídios globais versus as mortes por conflitos armados, os múltiplos são ainda piores. Vejamos: de acordo com a Organização Mundial de Saúde morrem anualmente cerca de 800.000 pessoas no mundo por suicídio, enquanto o número de mortes por conflitos aramados é cerca de 69.000 pessoas (número em declínio na última década), ou seja,  11 vezes mais mortes por suicídio que por conflitos armados. No Brasil, 12 mil pessoas tiram a própria vida por ano, segundo o Ministério da Saúde. Observe o ranking de 180 países em número de suicídios a cada 100.000 habitantes: Guiana (30.25 ) Lesoto (28.86) Russia (26.54) Uruguai (16.48) Estados Unidos (13.67) Suécia (11.65) Brasil (6.14) Voltando ao Brasil, em mais de 90% dos pacientes que se suicidaram havia uma doença mental relacionada. Na grande maioria dos casos, o diagnóstico é associado a depressão. Entre os jovens, cerca de 96,8% dos casos de suicídio são relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar, está a depressão, seguida do transtorno bipolar e do abuso de drogas. Também são fatores de risco para o suicídio situações como desemprego, sensações de vergonha, desonra, desilusões amorosas, além de antecedentes de doenças mentais. O problema já é considerado uma questão de saúde pública e o atual momento de tensão social, crise econômica e política o torna ainda mais preocupante. A boa notícia é que a OMS afirma que o suicídio tem prevenção em 90% dos casos. A polarização política e a erosão do sentimento de comunidade, aliado ao preconceito em relação aos distúrbios mentais, pode nos deixar indiferentes a potenciais suicidas. Vale olhar em volta com cuidado, pois alguém bem próximo pode estar precisando de ajuda com sua guerra interna.

Quando conflitos da alma são mais destruidores que guerras

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